quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017
PASSAGEIRA
O meu corpo será transformado em cinzas e espalhado ao vento. A alma é suave e leve assim, juntos serão felizes, certamente. As vivências serão deixadas num arquivo em prosa e verso numa gaveta sem chaves - pretensiosamente. Quem sabe num caderno amarelado pelo tempo desbotarão aquilo que relutei para esquecer. As saudades levarei comigo para transformá-las em aposento, nelas descansarei cheia de motivos para agradecer. As dificuldades serão lembradas como oportunidade de melhoramento, sempre, foi assim que consegui interpretá-las. As vitórias serão esquecidas como um mero aspecto da batalha, nada mais que isso. As derrotas serão transformadas em troféus para o aprimoramento da alma, sei que o corpo padecerá, mas ela precisa de júbilo . Os medos serão divulgados publicamente, de forma corajosa, então... Superados! As dores sentidas serão pinceladas na memória como tatuagens vistas à olho nu. Elas serão visitadas com frequencia para que eu possa compreender através da fé o tamanho do Deus que mora em mim. A solidão vivida será como um cálice de amargo líquido que ao ingerir conhecemos melhor quem somos, onde estamos e a que viemos. As viagens feitas serão arquivadas em paisagens que a memória grava, delas guardo as intensões, os compromissos e amigos conquistados de norte a sul, de leste a oeste desse solo de Tupi onde vivi passageira, andarilha... Os textos escritos serão deixados numa lousa onde a vida fez-me aprendente. Os ensaios desse viver serão estrelas do céu onde uma gaivota viaja como quem veleja... As lembranças serão necessárias ao processo de ficar, mesmo partindo. As alegrias serão consumadas no infinito onde tudo dura eternamente. As tristezas serão fonte de autoajuda e tudo será finito porque só Ele não passará. As noites serão contas de um rosário de sonhos e os sonhos serão pra sempre, pra sempre... Um dia meu corpo será transformado em cinzas e então, feliz, bailarei ao vento suavemente. A vida é um breve estar. Estejamos! M.N
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
MUITAS GRAÇAS SENHOR!
Muitas
graças Senhor, pelo meu pai
que
é um homem bom, especial
a
ele, saúde, alegria e paz doai
eis
o meu pedido inicial...
A
minha mãe consolai! Senhor Jesus
pela
ausência de suas filhas queridas
aliviai
a dor, o peso de sua cruz
o
excesso de trabalho e as dores vividas...
As
minhas irmãs que amo tanto
guiai,
protegei – meu Pai Celeste
cobrindo-o
com o seu suave manto...
Ao
meu filho, Senhor! Dai sabedoria
honestidade,
humildade e paz
saúde,
força, coragem e alegria...
(Ele estava tão bem quando escrevi esse texto...)
M.N
AS MÃOS QUE TENHO
Minhas mãos cansadas,
grossas,
ásperas,
a remendar a vida.
Minhas mãos
sofridas,
envelhecidas,
marcadas,
curando dores
e feridas.
Minhas mãos
tão feias,
enrugadas
pelo tempo,
minhas mãos
alheias...
Minhas mãos
sem brilho,
sem luxo,
manchadas
escrevem a
história,
revelam a saída,
lavam mágoas
da vida,
preparam o
alimento para a fome...
As mãos do
tempo
eu sei - são remédio, são alento
para quem conduz no
peito
só dor,
lágrima e sofrimento.
ROTA II
Não
encontrei
o caminho
de volta
perdida
em
ti
permaneço...
Dá-me um
guia
um
endereço.
Em seu mapa
a minha rota
em saudades
o amor brota.
Ando só sem ter voce
mesmo em frota.
LIMITAÇÕES.
...E havia claros sinais de que a vida é dona de seus mistérios. Ela nos permite apenas desvendar o óbvio. Assim, saímos por aí à procura das velhas marcas que o tempo nos revela. Hoje, todos os oráculos conspiram por aquilo que não se pode esconder, negar, disfarçar... Todos os caminhos apontam para um mesmo endereço. Todas as rotas são unilaterais, elas apelam o mesmo traçado de passos, onde pintamos na estrada o caminhar. Passos. Alguns, despretensiosos; outros, direcionados de forma proposital. Ah! Mas, a beleza da vida é fruto desse constante trajeto onde nos conduzimos à casa que habitamos: nós. Porque no íntimo de todos os caminhos, nos cômodos de todas as moradas devemos habitar primeiro quem somos, depois... Na sobra dos tempos refazemos os códigos de endereçamento postal. Eu, posto cartas à mim como quem busca uma aproximação maior consigo mesma. Dessa forma, acredito ser possível descobrir um lugar de calmarias para abarcar minha canoa. Bom. Tenho rios perenes onde possivelmente posso viajar nas ânsias desse tempo de estágios para viver o rumo das águas, sinto-me como tal. Sou líquida, clara, transparente e, sobretudo, tenho para além da matéria organizada, uma alma de vidro que não me deixa escurecer. Hoje, confesso minhas fragilidades, minhas inquietações, minhas LIMITAÇÕES... E sei que como disse a música "há um barco esquecido na praia". Outubro vem chegando para nós com seus róseos sinais de providências, setembro da independência levanta a mão com intenções de dar adeus. O tempo flui numa magia que não se barra, o tempo não para. Ele continua passando, não estaciona para que consertemos as dores, apaguemos as saudades, ou colemos os caquinhos do coração, esse cristal que reflete sonhos, desejos, ilusões, nossas mais profundas vontades. Hoje, eu quero o mais sutil entendimento do que há de vir, o que nos põe em contradição conosco, o que nos cabe diferir ideologias, o que nos possibilita viver toda a beleza dos contrários, daquilo que é diverso. Se, por um instante, a natureza se encarrega de ser dona das próprias vontades, nós, pequenos projetos humanos permanecemos em contínuo processo de auto suficiência. Ser. Não ser. Está aqui, a questão a resolver. Só o tempo é capaz de dirimir dúvidas, solucionar equações e resolver as pendências que deixamos perdidas por aí entre as frestas de vida que abortamos no caminho onde plantamos nosso jardim. Ilumina Senhor! (M.N)
Estranhamente devo confessar
E se existir alguém capaz de me passar informações eu agradeço... Como pode a gente sentir saudades daquilo que nunca teve, de coisas que nunca foram nossas, de vozes que nunca escutamos, de abraços que jamais recebemos? Como pode? Alguém me diz... Como pode a gente chorar por coisas que nunca aconteceram, por afetos que nunca existiram e por ausências que nunca foram presença? Como pode, alguém me diz? Como pode um cheiro remeter ao passado que nunca foi vivida e resgatar uma história que nunca foi real? Como pode um sonho retratar com detalhes lugares onde nunca estivemos fisicamente? Como pode, alguém me diz? Como pode a lua dizer coisas mágicas sem palavra alguma? Como pode? Alguém me diz? Como pode o mar lavar nossa alma sentenciada? Como pode a noite derivar dos sonhos que sonhamos juntos embora distantes?... Como pode a saudade companheira rasgar o coração abrigo com sua navalha afiada? Como pode? Como pode o medo sufocar a hora, aprisionar o tempo e proibir o futuro? Como pode um verso ser desfeito em rimas se a dor é mote? E, sendo mote a dor a sílaba rimar sempre com amor? Como pode o peito ser gaveta rasa para os nossos traumas? Como pode a fé ser chave que abre as algemas da alma? Como pode, alguém me diz? Enquanto isso, fico esperando "respostas." (M.N)
A ETERNIDADE EM MIM, EM MIM, EM NÓS
A eternidade é muito mais que um momento mas dura tal qual a respiração de um anjo. É um sopro poético, frio e leve, mas pesado ao extremo. É um suspiro rasgado, um beijo roubado, um sonho - alcançado? Mutilado? A eternidade é uma música calada ao vento, silenciada no tempo, averbada em nós, é um medo, uma incerteza... É uma chuva noturna que apaga o sol, desbota as estrelas, escurece o viver e apaga os passos deixados na branca areia de uma praia deserta onde habitamos em sonhos e poesias, desejos e fantasias... A eternidade em mim é vazio, lacuna, aresta, vácuo, medo... Em nós é realização de sonhos, concretude de desejos. É mágica, é beijo gelado, úmido, molhado. A eternidade em mim é uma estrada sem fronteiras, em nós é encontro, é chegada numa curva da estrada. A eternidade é uma viagem sem malas prontas, um destino que sufoca e amedronta. A eternidade em nós é carinho, afeto, abraço colado de longes desejado. É talvez uma esperança, um elo, uma aliança... Amarrou-nos. A eternidade é uma bolha de sabão soprada ao vento, por anjos em desalento, é poema e inconstância, é neurastenia no pensar ou talvez loucura no agir. Seria quem sabe uma inapropriação do tempo que não tem fim, em nós, em mim. A eternidade é espera, uma fagulha... Pobre de quem nela mergulha muito cedo. A eternidade é uma, projeção, pobre de quem não a toca com a mão. A eternidade é um suspiro, um intento, pobre de quem não a tem como instrumento. A eternidade é um moinho, pobre de quem não a tem no caminho... A eternidade em nós é uma rede amarela, suave a balançar sobre o vento da janela... A eternidade é um presente que não se embrulha, não tem bula, nem receita. A eternidade é bem mais que um momento, e na sua brevidade é eterna como o pensamento e apenas enquanto dura é o que dá beleza, magia, leveza, encantamento e singeleza a o momento. A eternidade é só um desejo, um desengano e quem sabe até um ato de alto abandono. A eternidade é apenas um engano do tempo e antes que a alcancemos, apenas um tormento.
Marli Nóbrega
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
O PESO DA HORA
Venha!
Vamos juntos sacudir os panos,
os recortes da poeira que restou,
apagar as mágoas, as dores
e orar pelo milagre que ficou...
Vamos! Vamos juntos recortar etapas,
apagar o passado entristecido
esquecer as tristezas ingeridas
e vomitar todas as dores dessa vida.
Vamos! Vamos!
Vamos, vem! Chegou a hora
mas há sonho e pesadelo...
E eu bem sei - como o (real) pesa agora.
M.N
ALFORRIA
Escravidão machuca a pele
Algemas maltratam as mãos
Solidão devora sonhos
Abandono leva a desilusão.
...
Braços se cansam na luta
Voz cala no grito, a dor.
...
Vivo, arquivo.
Registro, tombo maus sonhos.
Versos.
Retrato.
A cicatriz de antigas feridas.
A dor presente – a escravidão,
o quilombo em mim:
chicote, açoite, desespero – o tronco.
Sangra a pele, a alma sonha.
Isaura quer alforria,
recuperar a alegria do coração enlutado,
quer reconquistar a sorte,
os amigos, a fantasia...
M.N
ROTA
E apenas porque era fácil a vida parecia leviana... Mas a sutileza dos vocábulos se refaz a cada ação. Diga-me sobre teus sonhos e retratarei quem tu és... Mascarando as realidades tristes e colorindo-as de fantasias falarei de coisas que sabemos bem. Eu te apresento um amanhã cheio de tons e poesias, voce me presenteia com dias agora festivos, repletos das nuances desse céu de azul mar. Tudo parece mágico, doce, leve, poético até que o tempo se apropria de si e muda o rumo das ondas. Espumas tocam nossos pés, enchendo-os de neve imaginária. Desenhamos na areia os passos que a gente deu à procura de nós e só apagamos as marcas deixadas quando chegamos lá onde tudo É. Esse desejo de ser nos unifica, nos invade a alma, nos afeta em proporções similares e, desse modo, apressamos a chegada pegando carona nas asas do vento de setembro. Abrimos as gavetas, tiramos delas tudo que não nos serve mais e reservamos um espaço para as novas descobertas. Vasculhamos do eu e de nós os mapas que não apontam para novos caminhos e desenhamos a rota que pretendemos. Assim, quem sabe conseguiremos chegar lá onde somos muito mais que palavra e som, muito mais que antídoto e veneno. E juntos dividiremos a fatia de sonhos que temos no bolo. Hoje, depois dos versos que te fiz replico a deixa da vida em pequenas composições. Procuro transferir palavras ao silêncio que nos cabe quando todas as palavras são desnecessárias. Eu tenho sonhos para nós e histórias de "acordar" pra te contar. Vai. Segue. Embrulha nossos pertences numa mala de viagem e toma nas mãos a escolha do roteiro para que dirijas o destino que sonhamos nosso. (M.N)
SONHOS DE IQUEBANA
E eu aqui pensando nas coisas que a gente sonha embora pesadelo, lembrando de coisas que a gente resgata da memória ainda que indesejadamente. Vivendo partes de um tempo que mora distante do agora, refazendo passagens de fases que acompanhei de olhos atentos. E eu aqui bordando meu sonho com borboletas amarelas, flores de cerejeira e uma libélula azul. E eu aqui retocando a aquarela da parede onde projeto imagens arquivadas em mim. E eu aqui escrevendo no calendário como quem deseja mudar a rítmica do tempo, o passar das horas e o tic-tac do relógio. E eu aqui trocando os verbos do antigo poema que deixei sonolento na terceira gaveta. E eu aqui regando as plantas onde cultivo sonhos de iquebana... E eu aqui saudosa das tardes de setembro. E eu aqui aquecendo o frio do corpo afogado no rio das inquietas águas. E eu aqui deslumbrada com a noite derramada em meus lençóis abraços. E eu aqui te olhando em antigos retratos. E eu aqui versando sobre os destemperos do prato quando a fome não é de alimento. E eu aqui ouvindo baixinho Tracy Chapman no rádio. E eu aqui sentindo tudo aquilo que pedi aos ceús para esquecer. E eu aqui, quase inteira porém, sem saber o que dizer, o que escrever. E eu aqui... Ausente de mim guardada no berço onde durmo em voce...! (M.N)
RESTOS POSTOS
Restos de ontem
estão postos à mesa
servindo saudade
como entrada...
Frações do passado
atormentam, ferem
como o aço
do punhal de Fagner...
Porções de outrora
me invadem a alma
como o oceano de Djavan
e eu dou meu
grito de alerta por Bethânia...
Ufa! Tanta coisa,
tantos versos,
tantos sonhos
DISPERSOS.
Ufa! Tanta história
jogada fora...
Tanta dor de saudade e de amor.
A mesa farta já não basta.
Viver é URGENTE e NECESSÁRIO.
(assim me fez ver o poeta)
M.N
terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
SE...
E eu aqui querendo entender esse universo de dúvidas que circula o tempo... Tanto tempo! Se houvesse apenas uma porta ou sinal de fumaça, ou no peito uma horta... Se houvesse um som quebrando o que foi silenciado, palavras dormindo em paz no calar gestado... Se houvesse um doce para o fel que está, alimento para o desejo pão que invade as entrelinhas do coração . Se houvesse sonho para o pesadelo de não acordar, sono, canções de ninar... Se houvesse um toque de reciprocidade, serenata calma pelas ruas da cidade... Se houvesse flores na janela em branco, se houvesse um lírio, um verso, um encanto... Se houvesse tempo para o que passou e um poema pronto para o que restou... Se houvesse índios habitando a praça, cafusos, negros, mamelucos, os mais belos tons de todas as raças... Se houvesse cheiro de terra molhada, germinação de vida pelas mesas fartas.... Se houvesse um eu capaz de esquecer, um voce capaz de mudar o que está posto.... Se houvesse um fluxo menos inquietude, mais amor, menos boatos... Se houvesse humildade como referência, amor como resultado e em Deus alguma crença(...) Se houvesse verbo como experimento, mudança como ideário, menos lágrimas no lenço... Se houvesse em mim a canção do adeus, a mudança de fato em meu documento... Esse anonimato já me fragmenta e eu me quero inteireza, completude, obediência. (M.N)
LONGE, MUITO LONGE
Longe tudo é silêncio. Longe tudo é saudade. Longe tudo é distância que rega o sofrimento... Que cresce, que cresce. Vamos colher novos ventos, esquecer a tempestade e refazer juntos o firmamento... Longe tudo é mortalha, faca, forca, navalha... Longe tudo é NADA. (M.N)
TERRENOS BALDIOS
Vou falar dos terrenos baldios que constam em minha geoGRAFIA. Dos mapas sem localização e das minhas travessias. Dos caminhos sem rumo, das malas sempre prontas. Dos espaços visitados. Das viagens, das andanças, descobertas e afrontas... Dos versos que escrevi, do cantar ensaiado em sonho de violão. Falar da fome, da mesa, do pão. Do batuque, do toque, da dança. Daquele dia marcado no calendário da parede. Daquele sonho feliz que deixei dormir na rede. De todas as agonias, risos, mágoas, fantasias... Vou falar dos meus dilemas, dos meus limites e lemas. Daquela hora do dia onde tudo é calmaria... Ah! Falarei de um tempo recheado de alegria, perfumado e infantil (há lonjuras nessa estrada que meus pés já não alcançam) . Falar dos desenhos pincelados num caderno de brochura. Dos meus remendos, cicatrizes e das minhas rasgaduras. Das metades que perdi, dos jogos desse viver onde ganhamos ao perder. Falar dos silêncios que gritam em minhas entranhas. Dos meus ferimentos e manhas. Vou falar das posses desse nada possuído. Dessa vontade desmedida de superar meus limites e encontrar a luz perdida. Falar das vezes que disse palavras sem conteúdo e das vezes que calei minha dor presa num muro. Vou falar de tudo isso no dia que eu me encontrar... Preciso saber quem sou eu ou vou ter que perguntar. Alguém? (M.N)
TEMPO, SENHOR DAS HORAS
O tempo é o senhor das horas. Um amigo que ensina sem dizer palavra alguma. Um professor que aprimora no silêncio a nossa história. Um joalheiro que lapida a conduta e a melhora. Um retratista que imprime nossa essência sem demoras. Um cirurgião sem bisturis nem anestesia que arranca cicatrizes do corpo e da alma. Esse que nos possibilita compreender a diferença entre 3 horas de alegria e 30 minutos de dor... Tempo. Senhor das horas, das noites de lua cheia, do ontem cheio de histórias e do relógio apressado que tira de nós o agora. Abre em nós a infinitude que em ti se elabora. Apagai nossas durezas e desenhai nossa vitória... Enquanto o céu escurece, clareia em nós a memória. Enquanto o sono padece, desperta em nós a esperança. Enquanto a morte e o choro lamenta a perda vivida, traze pra nós outro choro - daquele que chega à vida... Tempo, tempo, tempo, tempo... Não nos abandone, não desista de nós. A ti entregamos o caderno desejANDO que escreva um novo script, uma nova trajetória. (M.N)
O tribunal, a sentença e o banco dos réus.
Quanta improcedência cabe na fala de quem já esteve à frente de uma GRANDE EMPRESA que deveria ter como lucro maior "o tratar bem das pessoas" e não o fizera porque o peso de sua toga era MUITO MAIS INTERESSANTE, o cargo era um referencial de imponência. A patente dava-lhe a certeza de um poder sem limites, mas nada há que estando sobre a terra seja maior que a competência divina... Juiz nenhum tem o martelo da vida e o tribunal que realmente importa não tem sentença sem justiça. Ali onde um dia vossa senhoria e sua gente sentou em cadeiras temporárias é o mesmo lugar onde outros e muitos sentarão porque assim é a LEI DA VIDA. Tudo passa, até nós, os réus... Para cada sentença um ato condenatório, a pena determinada e mil julgamentos individuais e coletivos porém, convém lembrar que tanta gente buscou na dor por sua ajuda e voltou para casa pior do que saira dela. Quantas dores lhes foram apresentadas sem um ato sequer de sua ação para minimizá-la... Por quantas vezes a vida te pediu socorro num desses corredores que a gente passa e voce sequer ouviu a brado retumbante, o pranto ou o silêncio de quando nada mais pode ser dito? Vejamos, o tribunal continua ali, construído em concreto armado, as sentenças também permanecem lá e algumas delas estão loucas para ser expressas querem sair das gavetas e tomarem conta das redes... O banco dos réus poderá ser preenchido por aqueles que "esquecidos do passado" fazem coisas inaceitáveis de tão absurdas. Hoje seria prudente retomar o censo, refrescar a memória com aquele combustível que nos move. Seria interessante usar aquele remédio que cura além das patologias, cura as ruindades humanas. Porque por mais que passe o tempo os papéis atestam nossas falhas, nossas fragilidades humanas, nossas passagens, nossas marcas e histórias... Ninguém é SENHOR DE SI, dono do tempo, detentor da verdade. Há caminhos que a gente passa e ninguém conhece, ninguém sabe e há caminhos que a gente não consegue omitir que um dia pisou porque sem perceber deixamos reflexos nossos. Portanto, reflita sobre suas ações cotidianas, arranca esse veneno mortal da tua língua afiada, joga fora essa maldade que nada te acrescenta. Para ser mais franca TUDO ISSO ANULA o ser... Assim quem sabe o tribunal poupará as tuas falhas em delação obrigada, porque Ele sabe, Ele viu, Ele ouviu e testemunhou todos os erros cometidos. Alguém também guardou as provas. Do escritório, gabinete ou praça pública nada passou à mercê de Seu olhar criterioso. Desse modo, abrandai vosso coração, acalmai vossa revolta sem razão de ser e LEMBRAI: não existe crime perfeito. Fica sempre uma prova ou pelo menos uma fresta aberta para que o MUNDO possa ver o seu histórico ou conhecer teu legado. Cautela! Prudência! Respeito e justiça. O juiz manda um recado: há muitas vagas no banco... Portanto, NÃO FAZ SENTIDO ter teto de vidro e atirar PEDRAS no telhado do outro. Sejamos pois, éticos. Supremo e Senhor de TUDO, só ELE. Estamos aqui esperançosos da mudança, inclusive de atitudes porque permanecer no erro não é lá muito interessante. NÓS também sabemos julgar mas, optamos por continuar sendo EXPECTADORES do circo que a improcedência arma... Tem muito nariz de palhaço jogado na lona vermelha desse picadeiro sem platéia. Tem gente na corda bamba sem saber que o tombo é alto. Tem muito domador de elefante que nunca sentiu a mordida do LEÃO. Tem muito acrobata brincando com fogo, em risco de ser queimado. Ah! Quase esqueci... Tornozeleiras de bijuteria são mais interessantes que as eletrônicas. O tribunal, a sentença e o banco dos réus continuam à espera de novos visitantes. É 1000 vezes melhor não ter que passar por lá. (M.N)
PALAVRAS
O que são e o que podem as palavras? Tenho observado de forma muito criteriosa a importância e o risco das palavras em nossas vidas... Maravilhoso é escutar palavras de ânimo - essas são alavancas e nos impulsionam à caminhada e conseguem nos levar mais longe. Triste é escutar palavras que amarram os nossos pés e apagam os rumos do destino - essas são como punhais em arena à espera do duelo. Maravilhoso é escutar palavras doces - essas são bálsamo para as durezas do cotidiano. Triste é escutar palavras que nos aprisionam em nós mesmos, impedindo-nos de continuar - essas são cruzes que carregamos com dificuldade extrema e refletem iniciais carregadas de significados indesejados. Maravilhoso é escutar palavras de afeto, elas soam como chuva no telhado quando um deserto ferve em nosso peito sedento. Triste é escutar palavras cheias de ódio, carregadas de fluidos negativos e coisas ruins - essas são flechas no peito, são fel na taça para bocas desejosas de um oásis. Maravilhoso é escutar palavras cheias de fé - essas são expressões divinas que nos chegam por vozes humanas. Triste é quando escutamos palavras sem conteúdo, vazias de sentimento, carregadas de lacunas - essas são chicote açoitando a nossa dor. Maravilha é escutar palavras cheias de vida, palavras cheias de força, palavras cheias de amor... Essas conseguem entorpecer nosso coração carente e assim, em toda gente, toca o peito e alivia a dor... Diga hoje uma palavra capaz de entorpecer um coração silêncio - triste é viver sem ouvir os vocábulos que a vida nos apresenta no amor. O mundo, amig@ meu, anda carecendo de palavras... Bradai! Em cada esquina sem cor ou avenida deste chão há pessoas que precisam de amor e atenção. E mais triste é perceber que o silêncio mata mais que a fome de ilusão. Sejamos pois, palavra e som. Amemos! Falemos! (M.N)
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
ATESTADO
Atesto em
mim
o teu passar
a tua marca
eu – verso
tu – barca
eu – sono
tu – ressaca.
Atesto em mim
O passar
das nossas horas.
...E agora?
Em que livro
reescrevo
a nossa história?
o teu passar
a tua marca
eu – verso
tu – barca
eu – sono
tu – ressaca.
Atesto em mim
O passar
das nossas horas.
...E agora?
Em que livro
reescrevo
a nossa história?
Marli Nóbrega
INSÔNIA
Mexe
comigo
fala
baixinho
finge
dormir
...o sono
não vem
... o
sonho
não vem
o
pesadelo
chega
mas,não me
convém.
M.N
DESENCANTOS
Ando a
procura do caminho, do rumo, do destino.
Não tenho bagagem, nem roupas, nem luxos, como disse, busco caminhos, uma
estrada certa, a direção exata...
Setas, mapas, rotas, nada disso me serviu de base, permaneço sempre no mesmo lugar...e do mesmo "velho jeito" de sempre: superando abismos e desejando abrigo.
No percorrer dos meus dias o fardo me é difícil de conduzir, pesa em demasia para a minha insignificância e fragilidade.
E, assim sendo, não tenho caminho novo, nem ninho, nem canto...
Vivo o silêncio das catacumbas e me vejo sucumbir em desencantos.
Setas, mapas, rotas, nada disso me serviu de base, permaneço sempre no mesmo lugar...e do mesmo "velho jeito" de sempre: superando abismos e desejando abrigo.
No percorrer dos meus dias o fardo me é difícil de conduzir, pesa em demasia para a minha insignificância e fragilidade.
E, assim sendo, não tenho caminho novo, nem ninho, nem canto...
Vivo o silêncio das catacumbas e me vejo sucumbir em desencantos.
Marli Nóbrega.
É TEMPO DE SER
Uma manifestação de ontens bate à minha porta,
pede abrigo, pede cama, acolhida.
É o doce reflexo da vida
se retratando em memórias,
em lembranças e saudades.
É a certeza do tempo
a revelar seus aspectos mais surreais.
É a magia das horas
cumprindo tabela
no calendário do tempo...
É a vida, pedindo passagem,
enquanto na dúvidas pretendemos SER
...
Aquele ou quem de fato somos, mas...
É o doce reflexo da vida
se retratando em memórias,
em lembranças e saudades.
É a certeza do tempo
a revelar seus aspectos mais surreais.
É a magia das horas
cumprindo tabela
no calendário do tempo...
É a vida, pedindo passagem,
enquanto na dúvidas pretendemos SER
...
Aquele ou quem de fato somos, mas...
UMA MANHÃ DIFERENTEMENTE, TRISTE
Ontem
quando o sol aquecia a manhã a vida tirou a vida de uma jovem mãe: Patrícia.
Sua jornada terrena deu lugar aos sonhos de uma nova dimensão, permitindo a
viagem para uma moradia muito mais especial: a morada de Deus. A jovem mãe
viveu no último ano as dificuldades de uma luta que apesar de seu esforço
desmedido perdera: a luta contra o câncer. Patrícia foi uma mulher de beleza
estonteante, corpo bem definido, cabelos esvoaçantes e de um azul tão profundo
no olhar que encantava a todos. Sorriso marcado, seu carisma nos afetou,
certamente. Sua luta contra a doença foi marcada por muitas idas e vindas. Foram
incontáveis viagens à capital do estado, longa batalha em processos de
internações...Inúmeras internações hospitalares, noites indormidas... Muita dor
e muito sofrimento. Mas como a misericórdia de Deus é infinita, seu sofrimento
é ceifado, a desencarnação retira todo o seu pesar, todo o seu pranto, toa dor
sentida. É difícil aceitar o fato, compreender os desígnios celestiais, porém,
é necessário que reflitamos: já não era a hora de sua ascensão aos céus?
Responder torna-se difícil principalmente porque sabemos que a sua falta será
um martírio e que a vida se seus dois filhos passa pelo capítulo da perda
materna de forma antecipada. Tenho certeza de que, apesar de jamais reclamar
Patrícia já não suportava mais tanto sofrer, assim como acredito que ela se foi
preocupada com o futuro de seus filhos amados. Mas, sobretudo, tenho ainda a
convicção de que o tempo do sofrimento é finito, a vida não. Quando
desencarnamos somos transformados e na Casa Paterna haveremos de ser
purificados, recuperados, e curados de ta dor que possamos conduzir no corpo.
Que Jesus ilumine os passos dessa jovem mãe, apresentando-lhe caminhos mais
floridos, sonhos mais reais, esperanças renovadas. Que Maria – mãe das mães,
prepare o futuro dos filhos pequenos que Patrícia deixa, não lhes permitindo
faltar carinho, cuidado, esperança, afeto e amor. E que Jesus conforte esposo,
familiares e amigos nesse momento de dor para que juntos possam comungar do
tempo das bem aventuranças, porque o caminho agora é mais estreito, as noites
agora são mais frias e a saudade agora se fará presente, sempre.
Que o Senhor nos oriente no novo trajeto onde
saudosos da amizade, da companhia, da beleza física e interior de Patrícia
estaremos unificados em oração por sua alma e pelo conforto dos que ficam.
A VIAGEM DE PATRÍCIA...
Patrícia era mulher de beleza inconfundível. Pele clarinha, dentes brancos,
cabelos lisos esvoaçantes, loiros , corpo bem definido e sem gorduras
aparentes, além de um profundo azul no olhar, firme, terno e
penetrante. Perdeu a mãe num trágico acidente ainda quando infante, casou
cedo e aos 25 anos já tinha dois filhos: Júlio César e Maria Julia. Aos 24 anos
descobriu um câncer agressivo no útero, tratou-se, curou-se, mas o referido
cruel e perverso surgiu em outros locais de seu corpo. Aos 25 anos parte, após
longo processo de luta, viagens incontáveis, longas e diversas internações
hospitalares, enfim, depois de um sofrimento tão intenso e tão agudo que a luta
fora perdida na manhã esquisita do dia 07 de dezembro. Nossa pequena cidade
sofreu junto à Patrícia e sua família, cada reflexo de dor, cada etapa de sua
jornada contra a doença...Ontem, dia 08 devolvemos seu corpo
fragilizado à terra onde certamente deixamos plantadas nossas lágrimas que se
irmanaram nesse momento de dor e perda. Tudo ficou diferente, naquela manhã que
o tempo sabiamente tratou de escurecer... Hoje, a ficha começa a cair, depois
do impacto. Será que Patrícia recebeu em vida o amor que mereceu, o afeto, a
compreensão... Será que seu coração materno viajou tranquilo? E seus filhos? E
seu povo? E seus sonhos? Agora me pergunto o que fazer com eles... Meu
coração enlutado, não tem respostas.
Marli Nóbrega
INQUILINA II
Fujo de
mim
para te
encontrar
para me
esconder
da ilusão
e quem me
dera
ao sentir
a falta
do meu
coração
vai me
procurar
e sem
distâncias
no mesmo
lugar
vai me
encontrar...
INQUILINA I
Quero ler
você
interpretando
sua
aura inatingível
compor em mim
tuas
estrofes rítmicas
teus versos brancos
claros,
francos...
Quero ler você
e
recompor em ti
a obra poética
da minha
estrada.
(...)
Quando
chegar o dia do teu regresso meu coração
sairá do
peito, os pés descalços tocarão o chão e uma
onda de
lembranças invadirá minha alma cansada de esperas...
Tudo será
transformado... Declamarei os versos todos que
te fiz
com calma... Direi da saudade sentida por anos arrastada...
Falarei
das lágrimas que por ti chorei... Guardarei palavras
que não
foram ditas, cantarei poemas para ti escritos e serei,
de novo,
tua cuidadora... Mas, como no amor tudo se engrandece,
serei o
porto, o parto, o aperto, o abraço e estarei pronta
para
nunca mais.. Terei cumprido a missão.
Nada mais
me importa quando voltares à minha porta.
Nenhuma
dor me alcançará, nenhuma saudade doerá em mim...
Deitarei
quieta numa rede fria e ao Pai farei nobres orações.
Esquecerei
os abismos enfrentados, os dramas chorados...
Estarei
pronta para ser feliz porque terei de volta
o coração
dentro do peito.
"Eu NUNCA guardei rebanhos..."
Sou poeta sem fingir
Que a vida é poesia
Creio no feito, no agir
No amor e na alegria...
Não ostentei coisa alguma
Ora, nada eu pude conduzir
Qual cigarro que se fuma
E o vento vai consumir...
Sei que a vida é a fumaça
Da mais ardente fogueira
Que pelo vento disfarça
Essa brisa passageira...
Hoje olhando os perfis
Que se revelam especiais
Sinto falta do velho giz
Das séries iniciais...
Muita ofensa e agressão
Apelação e indiretas
Politicagem, confusão
Palavras meio indigestas...
E eu me privo ao direito
De ler e fingir que nem vi
Porque até isso eu respeito
Filtro o mal do que li...
Mas por favor me entendam
Vamos lutar sem canseira
Que os discursos nos rendam
Uma visão mais inteira...
Para mudar a conduta
Acabar com a inimizade
Porque a nossa labuta
É por respeito e liberdade...
Que saibamos evitar
Tudo aquilo que faz mal
E juntos comemorar
Uma política legal...
Sem nenhuma violência
Maldade ou perseguição
A política é a Ciência
Pra melhorar a nação...
Pensemos juntos. Cuidado!
Não se permita enganar
Quem tem o mal propagado
Raramente irá mudar...
Voto é livre e democrático
Cada um sabe escolher
Seja livre, pragmático
E a paz irá vencer...
Sejamos firmes, prudentes
Tenhamos firmeza no agir
E limparemos as lentes
Do que se vê por aqui...
Assim votemos munidos
Com fé na soberania
Voto pago elege bandidos
E mancha a democracia...
A história de uma nação
Que lutou para vencer
Algemas e escravidão
Que ainda ferem o viver...
E embora indignada
Com expressa baixaria
Fingo que não vejo nada
Mas mergulho em agonia...
Aqui eu faço um apelo
Amig@s prestem atenção
Para a política o zelo
E a liberdade de expressão...
Mas, lembremos sempre cabe
Respeito e amor em todo lugar
Espalhemos pela cidade
O bem que se quer alcançar...
E, pelo outro, entendamos
Com respeito nosso irmão
Para que juntos sejamos
Força, prudência, fé e união...
E que com garra e valentia
Saibamos até propagar
O valor da democracia
E o direito de votar.
Marli Nóbrega - faltando exatamente um mês para o pleito eleitoral.
Que a vida é poesia
Creio no feito, no agir
No amor e na alegria...
Não ostentei coisa alguma
Ora, nada eu pude conduzir
Qual cigarro que se fuma
E o vento vai consumir...
Sei que a vida é a fumaça
Da mais ardente fogueira
Que pelo vento disfarça
Essa brisa passageira...
Hoje olhando os perfis
Que se revelam especiais
Sinto falta do velho giz
Das séries iniciais...
Muita ofensa e agressão
Apelação e indiretas
Politicagem, confusão
Palavras meio indigestas...
E eu me privo ao direito
De ler e fingir que nem vi
Porque até isso eu respeito
Filtro o mal do que li...
Mas por favor me entendam
Vamos lutar sem canseira
Que os discursos nos rendam
Uma visão mais inteira...
Para mudar a conduta
Acabar com a inimizade
Porque a nossa labuta
É por respeito e liberdade...
Que saibamos evitar
Tudo aquilo que faz mal
E juntos comemorar
Uma política legal...
Sem nenhuma violência
Maldade ou perseguição
A política é a Ciência
Pra melhorar a nação...
Pensemos juntos. Cuidado!
Não se permita enganar
Quem tem o mal propagado
Raramente irá mudar...
Voto é livre e democrático
Cada um sabe escolher
Seja livre, pragmático
E a paz irá vencer...
Sejamos firmes, prudentes
Tenhamos firmeza no agir
E limparemos as lentes
Do que se vê por aqui...
Assim votemos munidos
Com fé na soberania
Voto pago elege bandidos
E mancha a democracia...
A história de uma nação
Que lutou para vencer
Algemas e escravidão
Que ainda ferem o viver...
E embora indignada
Com expressa baixaria
Fingo que não vejo nada
Mas mergulho em agonia...
Aqui eu faço um apelo
Amig@s prestem atenção
Para a política o zelo
E a liberdade de expressão...
Mas, lembremos sempre cabe
Respeito e amor em todo lugar
Espalhemos pela cidade
O bem que se quer alcançar...
E, pelo outro, entendamos
Com respeito nosso irmão
Para que juntos sejamos
Força, prudência, fé e união...
E que com garra e valentia
Saibamos até propagar
O valor da democracia
E o direito de votar.
Marli Nóbrega - faltando exatamente um mês para o pleito eleitoral.
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