Em qual
porto iremos nos encontrar? Onde ancoraremos nossa pequenina embarcação? Essa
nossa viagem por água é chuvosa, porém difícil. Hoje estamos todos com a
sensação de viajar no mesmo velho barquinho de papel (tão frágil). Uns estão
sempre muito bem acomodados, outros, pendurados para não cair nas "águas
do mar da vida." De repente chove. E a vida segue. A rota terrestre nos
impulsiona ao primeiro passo, nos direciona à luta, nos aponta o amanhã...
Milhares são as possibilidades
de destino, milhares são as porteiras fechadas e milhares serão os mapas
contraditórios... Mas, a viagem continua. Alguns viajam sempre na primeira
classe, outros na classe econômica e a grande maioria apenas viaja... Que
classe? O melhor de tudo é essa sensação de partidas e regressos, esse fazer e
desfazer das malas, esse agir para o amanhã... Estou a caminho e certamente
algum dia desses chegarei. Nesse dia terei alcançado meu objetivo maior, meu
ponto de aterrissagem, meu destino. Fecharei minhas asas de borboletas e
descansarei dos enfados acumulados nas andagens sem mapa algum... porque a vida
não tem roteiro. Ontem por essa hora o rumo era chegar, hoje, por essa hora o
desejo é, regressar. Assim a vida ganha novas nuances, novos pontos de
embarcação, novos andarilhos. O trem passa e nos convida à caminhada, o
maquinista, porém, pode ser cruel. E em sendo assim, descansai sossegadamente
antes do novo destino. A viagem pode ser freada assim, desavisadamente... E o
condutor, o que acontece com ele? Eis a pergunta que eu não calaria. Nada
sabemos, nada, nada... Mesmo assim pretendemos seguir adiante, sempre... Na
esperança de que lá em cima alguém olha para nós. O que seria de nós sem o
alcance da tua visão de raio-X?
(M.N)

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