segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

ROTA

E apenas porque era fácil a vida parecia leviana... Mas a sutileza dos vocábulos se refaz a cada ação. Diga-me sobre teus sonhos e retratarei quem tu és... Mascarando as realidades tristes e colorindo-as de fantasias falarei de coisas que sabemos bem. Eu te apresento um amanhã cheio de tons e poesias, voce me presenteia com dias agora festivos, repletos das nuances desse céu de azul mar. Tudo parece mágico, doce, leve, poético até que o tempo se apropria de si e muda o rumo das ondas. Espumas tocam nossos pés, enchendo-os de neve imaginária. Desenhamos na areia os passos que a gente deu à procura de nós e só apagamos as marcas deixadas quando chegamos lá onde tudo É. Esse desejo de ser nos unifica, nos invade a alma, nos afeta em proporções similares e, desse modo, apressamos a chegada pegando carona nas asas do vento de setembro. Abrimos as gavetas, tiramos delas tudo que não nos serve mais e reservamos um espaço para as novas descobertas. Vasculhamos do eu e de nós os mapas que não apontam para novos caminhos e desenhamos a rota que pretendemos. Assim, quem sabe conseguiremos chegar lá onde somos muito mais que palavra e som, muito mais que antídoto e veneno. E juntos dividiremos a fatia de sonhos que temos no bolo. Hoje, depois dos versos que te fiz replico a deixa da vida em pequenas composições. Procuro transferir palavras ao silêncio que nos cabe quando todas as palavras são desnecessárias. Eu tenho sonhos para nós e histórias de "acordar" pra te contar. Vai. Segue. Embrulha nossos pertences numa mala de viagem e toma nas mãos a escolha do roteiro para que dirijas o destino que sonhamos nosso. (M.N)

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