quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
E SE ESSE MAR FALASSE...
Se essas ondas empoeiradas de saudades fossem retratáveis... Se esse mar azulado de ausências fosse menos frio... Se as estrelas desse céu fossem cintiladas de paz e amor... Se as árvores fossem abrigo aos enamorados... Se esse tempo de estranhezas fosse apagado e as lembranças do passado fossem transformadas... Se o silêncio da garganta fosse rouquidão e as palavras fossem cânticos de amor à vida... Se o poema fosse voz enternecida e triste e as palavras fossem feitas de nuvens do céu... Se a chegada da manhã fosse chuvosa e fria e o rouxinol cantasse livre à nossa porta... Se o vento sul batesse em viravolta e o cabelo crespo ganhasse leveza... Se a paz no mundo fosse realeza, o amor seria em nós a nobreza (e é)... Se as dúvidas cruéis virassem certezas... Se o mistério antigo fosse desvendado e a cartomante previsse o futuro... Se não houvessem celas, nem prisões, nem muros... Ah! Se assim não fosse tristes os futuros. E se o mar da vida não nos afogasse e seu sal em vida temperasse a dor todo mal seria mérito do amor e o amor teria ondas flutuantes. E nós? Loucos, livres, eternos amantes a nadar no tempo das revelações. (M.N)
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