E por mil
circunstâncias é prudente continuar sendo quem sempre fomos. Nada muda aquilo
que já É. Contudo hoje preciso falar das falhas que cometemos quando por
vaidades deixamos de lado nossa essência, implicamos gratuitamente com o outro,
desrespeitamos claramente o irmão e por vezes até o desmerecemos. É preciso que
tenhamos coragem para nos desfazer dos lixos da hipocrisia que conduzimos
conosco. Ter coragem para vencer as batalhas contra nosso maior inimigo - nós
mesmos. É preciso ter HUMILDADE além da meta para ser
fiel aos princípios que a vida nos acrescentou. Não posso resolver os problemas
do mundo mas, posso minimizar a cota daqueles que serão afetados por mim, pelos
meus gestos e vaidades. Assim, espero me livrar dos velhos lixos, das coisas
impensadas, das infantilidades, das minhas grosserias. É preciso inteligência
acima do natural para reconhecer-se ingênuo e força sobre humana para tornar-se
firme. Não apenas como a rocha, mas como os pensamentos que permanecem lá
intactos, livres dos arranhões dessa sociedade rotuladora e perversa que cruza
conosco nas ruas e avenidas e, muitas vezes moram em nosso corpo. Nossa
passagem terrena não precisa de estardalhaços, não carece de carimbos ou
festins, não necessita de tapetes vermelhos... Nossa passagem requer pé no
chão, coração puro, fé em Deus. Nossa passagem não necessita de patentes, nem
de méritos impressos numa folha de papel, nossa passagem deve ser assim com as
chuvas de verão em solo sertanejo, desejosa de bençãos. Hoje, por alguns
instantes estive prestando atenção as formas de agir dos humanos e para
tristeza me encantei com o comportamento daqueles que não se pronunciam em
palavras - os bichos. Lembrei do velho, porém, sempre atual poema de Manuel
Bandeira... Entretanto nós, os bichos que pensam e falam é que estamos "na
imundície do pátio... E, pasmem! Meu Deus somos homens! Catando "vida"
entre os detritos. Volto a tentar entender a necessidade de esvaziar nossas
lixeiras sociais e demagógicas, praticar aquilo que a fala sempre apresentou.
Se não for assim, não sei e nem quero ser nem o bicho, nem o lixo e nem o
pátio. A praça carece de vida, de amor, de tolerância e de respeito. Todas as
diferenças são nossas e todas as igualdades, TAMBÉM. Boa tarde e boa reflexão
para tod@s nós - o povo do bem. (M.N)

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