quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

ENTRE A FUMAÇA DAS HORAS E AS ESTRELAS DA NOITE





O tempo passa, assim, tão calmamente e nós, esperadores de bonanças observamos a fumaça das horas que se esvaem para contemplar as noites estreladas do céu desse nosso lugar tão lindo. Dançamos de alegria quando temos chuva no telhado. A água caindo do céu é uma festa por todos esperada a cada janeiro. Ontem à tarde choveu e para nós foi alegria que não se expressa em palavras. Crianças correm nas ruas sujando os pés com lama, idosos comentam "as mudanças do tempo". A chuva é sempre uma alegria mesmo quando não dá para lavar nossa alma empoeirada de andanças e estiagens. Ela chega e esfria o tenso calor dos nossos dias, perfuma o ar com cheiro de raiz e terra molhada (perfume melhor que esses, só de filho). Uma alegria expressa desce sobre nós, homens e mulheres sertanejas, filhos do semiárido brasileiro e frutos acostumados com grandes períodos de seca... Choveu! O que mais podemos dizer? E a chuva levou a fumaça das horas mais cinzentas do entardecer, deixando no céu escuro da noite recém chegada um ambiente ainda mais negro para que as estrelas se refletissem com mais intensidade. Depois da chuva o sono é sempre mais tranquilo e as noites são mais especiais... É que se instala em nós uma nova esperança, a esperança que nos move, a esperança que molha as dores e orvalha a fé nos nossos corações ressequidos, áridos, necessitados de transbordar águas novas.

Marli Nóbrega

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