terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
TERRENOS BALDIOS
Vou falar dos terrenos baldios que constam em minha geoGRAFIA. Dos mapas sem localização e das minhas travessias. Dos caminhos sem rumo, das malas sempre prontas. Dos espaços visitados. Das viagens, das andanças, descobertas e afrontas... Dos versos que escrevi, do cantar ensaiado em sonho de violão. Falar da fome, da mesa, do pão. Do batuque, do toque, da dança. Daquele dia marcado no calendário da parede. Daquele sonho feliz que deixei dormir na rede. De todas as agonias, risos, mágoas, fantasias... Vou falar dos meus dilemas, dos meus limites e lemas. Daquela hora do dia onde tudo é calmaria... Ah! Falarei de um tempo recheado de alegria, perfumado e infantil (há lonjuras nessa estrada que meus pés já não alcançam) . Falar dos desenhos pincelados num caderno de brochura. Dos meus remendos, cicatrizes e das minhas rasgaduras. Das metades que perdi, dos jogos desse viver onde ganhamos ao perder. Falar dos silêncios que gritam em minhas entranhas. Dos meus ferimentos e manhas. Vou falar das posses desse nada possuído. Dessa vontade desmedida de superar meus limites e encontrar a luz perdida. Falar das vezes que disse palavras sem conteúdo e das vezes que calei minha dor presa num muro. Vou falar de tudo isso no dia que eu me encontrar... Preciso saber quem sou eu ou vou ter que perguntar. Alguém? (M.N)
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