sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Estranhamente devo confessar

E se existir alguém capaz de me passar informações eu agradeço... Como pode a gente sentir saudades daquilo que nunca teve, de coisas que nunca foram nossas, de vozes que nunca escutamos, de abraços que jamais recebemos? Como pode? Alguém me diz... Como pode a gente chorar por coisas que nunca aconteceram, por afetos que nunca existiram e por ausências que nunca foram presença? Como pode, alguém me diz? Como pode um cheiro remeter ao passado que nunca foi vivida e resgatar uma história que nunca foi real? Como pode um sonho retratar com detalhes lugares onde nunca estivemos fisicamente? Como pode, alguém me diz? Como pode a lua dizer coisas mágicas sem palavra alguma? Como pode? Alguém me diz? Como pode o mar lavar nossa alma sentenciada? Como pode a noite derivar dos sonhos que sonhamos juntos embora distantes?... Como pode a saudade companheira rasgar o coração abrigo com sua navalha afiada? Como pode? Como pode o medo sufocar a hora, aprisionar o tempo e proibir o futuro? Como pode um verso ser desfeito em rimas se a dor é mote? E, sendo mote a dor a sílaba rimar sempre com amor? Como pode o peito ser gaveta rasa para os nossos traumas? Como pode a fé ser chave que abre as algemas da alma? Como pode, alguém me diz? Enquanto isso, fico esperando "respostas." (M.N)

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