terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

SE...


E eu aqui querendo entender esse universo de dúvidas que circula o tempo... Tanto tempo! Se houvesse apenas uma porta ou sinal de fumaça, ou no peito uma horta... Se houvesse um som quebrando o que foi silenciado, palavras dormindo em paz no calar gestado... Se houvesse um doce para o fel que está, alimento para o desejo pão que invade as entrelinhas do coração . Se houvesse sonho para o pesadelo de não acordar, sono, canções de ninar... Se houvesse um toque de reciprocidade, serenata calma pelas ruas da cidade... Se houvesse flores na janela em branco, se houvesse um lírio, um verso, um encanto... Se houvesse tempo para o que passou e um poema pronto para o que restou... Se houvesse índios habitando a praça, cafusos, negros, mamelucos, os mais belos tons de todas as raças... Se houvesse cheiro de terra molhada, germinação de vida pelas mesas fartas.... Se houvesse um eu capaz de esquecer, um voce capaz de mudar o que está posto.... Se houvesse um fluxo menos inquietude, mais amor, menos boatos... Se houvesse humildade como referência, amor como resultado e em Deus alguma crença(...) Se houvesse verbo como experimento, mudança como ideário, menos lágrimas no lenço... Se houvesse em mim a canção do adeus, a mudança de fato em meu documento... Esse anonimato já me fragmenta e eu me quero inteireza, completude, obediência. (M.N)

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