sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

LIMITAÇÕES.

...E havia claros sinais de que a vida é dona de seus mistérios. Ela nos permite apenas desvendar o óbvio. Assim, saímos por aí à procura das velhas marcas que o tempo nos revela. Hoje, todos os oráculos conspiram por aquilo que não se pode esconder, negar, disfarçar... Todos os caminhos apontam para um mesmo endereço. Todas as rotas são unilaterais, elas apelam o mesmo traçado de passos, onde pintamos na estrada o caminhar. Passos. Alguns, despretensiosos; outros, direcionados de forma proposital. Ah! Mas, a beleza da vida é fruto desse constante trajeto onde nos conduzimos à casa que habitamos: nós. Porque no íntimo de todos os caminhos, nos cômodos de todas as moradas devemos habitar primeiro quem somos, depois... Na sobra dos tempos refazemos os códigos de endereçamento postal. Eu, posto cartas à mim como quem busca uma aproximação maior consigo mesma. Dessa forma, acredito ser possível descobrir um lugar de calmarias para abarcar minha canoa. Bom. Tenho rios perenes onde possivelmente posso viajar nas ânsias desse tempo de estágios para viver o rumo das águas, sinto-me como tal. Sou líquida, clara, transparente e, sobretudo, tenho para além da matéria organizada, uma alma de vidro que não me deixa escurecer. Hoje, confesso minhas fragilidades, minhas inquietações, minhas LIMITAÇÕES... E sei que como disse a música "há um barco esquecido na praia". Outubro vem chegando para nós com seus róseos sinais de providências, setembro da independência levanta a mão com intenções de dar adeus. O tempo flui numa magia que não se barra, o tempo não para. Ele continua passando, não estaciona para que consertemos as dores, apaguemos as saudades, ou colemos os caquinhos do coração, esse cristal que reflete sonhos, desejos, ilusões, nossas mais profundas vontades. Hoje, eu quero o mais sutil entendimento do que há de vir, o que nos põe em contradição conosco, o que nos cabe diferir ideologias, o que nos possibilita viver toda a beleza dos contrários, daquilo que é diverso. Se, por um instante, a natureza se encarrega de ser dona das próprias vontades, nós, pequenos projetos humanos permanecemos em contínuo processo de auto suficiência. Ser. Não ser. Está aqui, a questão a resolver. Só o tempo é capaz de dirimir dúvidas, solucionar equações e resolver as pendências que deixamos perdidas por aí entre as frestas de vida que abortamos no caminho onde plantamos nosso jardim. Ilumina Senhor! (M.N)

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