quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

FEVEREIRO




...Era fevereiro embora para mim fosse novembro, escuro e tenebroso dia de finados em que um pássaro de asas largas e acinzentadas alçou vôo rumo ao infinito... e assim, sem medo da vastidão do céu partira sem pensar no ontem, sem deixar saudades, sem naufrágios nem ancoradouros... Suas penas cintilavam no céu carregando a luz e os reflexos de um sol que me prometera em vigília matinal, contínua e eterna, à deriva de qualquer sonho ou pesadelo levar sua alma para o abrigo da vida e ressuscitar a minha do vale da morte quando na Consolação me encontrei depositada entre ossos, flores, rosários, folhas e saudades.

Marli Nóbrega

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