...Era
fevereiro embora para mim fosse novembro, escuro e tenebroso dia de finados em
que um pássaro de asas largas e acinzentadas alçou vôo rumo ao infinito... e
assim, sem medo da vastidão do céu partira sem pensar no ontem, sem deixar
saudades, sem naufrágios nem ancoradouros... Suas penas cintilavam no céu
carregando a luz e os reflexos de um sol que me prometera em vigília matinal,
contínua e eterna, à deriva de qualquer sonho ou pesadelo levar sua alma para o
abrigo da vida e ressuscitar a minha do vale da morte quando na Consolação me
encontrei depositada entre ossos, flores, rosários, folhas e saudades.
Marli Nóbrega
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