Eu vou pegar meu pote de
ouro no fim do arcoíris... Vou procurar meus tesouros, ao encontrá-los, quero
dividir com aqueles que amo em iguais porções. E ao tanger minha procura para
os rumos que escolhi, desato-me das amarras que me prendem ao tempo das
esperas... Vou mergulhar no lado das inquietudes e dele sair refeita, de alma
lavada e purificada... Quero remar com a minha pequena embarcação na correnteza
de um rio manso. Vou investir na alma que conduzo, despindo-me das fantasias
tatuadas em minha pele. Vou esfacelar minhas verdades, rasgar meus verbos,
encontrar os predicados, adjetivar meus sentimentos. Vou promover os ensaios
dos meus versos de aprendiz, vou treinar o uso proeminente dos vocábulos, vou
revirar o passado e filtrar dele as lembranças mais doces, a suavidade de um
recordar despretensioso... Vou lavar meus lenços, por à enxugar minhas lágrimas
para minimizar meus dilemas existenciais. Vou rasgar todas as estruturas desse meu
pensar disperso para encontrar meu pequeno pote de ouro. Vou seduzir a vida num
convite à continuidade... Vou buscar o caminho menos espinhoso, flores
amarelas, do campo. Retratar minhas imagens guardadas à sete chaves. Vou
esperar a chuva, semear afetos, e na colheita fracionar os frutos maduros.
Caminhar e descer as escadas, superar abismos, ultrapassar os muros, construir
abrigos, dividir moradas, cronometrar o tempo que resta... Mas, se não
encontrar meu pote de ouro, vou aprender o segredo da alquimia e transformar
tudo aquilo que me faz sofrer.
Marli Nóbrega
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