Se voce estivesse fisicamente aqui eu te convidaria para sentar no meu banquinho... Olharíamos o mar, as ondas, o céu azul disfarçado de laranja... Molharíamos os pés na espuma e juntos faríamos uma caminhada pela areia úmida para que as águas do mar da vida lavasse o peso dos nossos passos desempoeirados... Sairíamos procurando os pássaros que pescam no mar e com eles voaríamos na leveza desse espaço madurado do tempo das esperas e saudades... Conversaríamos sobre as mesmas coisas de antes. E daríamos risadas lembrando do tempo que passou por nós... Seria um dia de saudades e alegrias. Desenharíamos na areia coisas que palavras não conseguem traduzir. E eu iria pedir a reprise de todas as histórias e estórias que me contou sobre essa vida retirante que mendiga de nós atenção especial. Elas são pérolas que não encontro em livros, são fábulas nossas... Ah! Mas, se voce tivesse aqui talvez as necessidades fossem outras... Eu aproveitaria para ler o livro Ipueira do meu tempo do nosso primo Eurly Nóbrega como fiz com o de Chiquinho de Chico Lins no alpendre da sua casa... Voce escutaria feliz, atencioso e acrescentaria suas memórias mais doces, porque tudo em voce era doçura... Ah! Se voce tivesse aqui talvez o banquinho nem existisse, talvez o mar fosse desnecessário. Talvez o coração pulsasse melhor, talvez o peso fosse suportável, a dor menos intensa... Só o amor seria igual. Enquanto isso, no banquinho conto ao vento quem somos nós. Eu te amo além do céu, além do mar, além de tudo o que há... Saudades eternas pai, receba outra vez o meu abraço... Já são quase quatro anos de saudade e de espera. Chegai... O nosso abraço te quer, o nosso colo te aguarda, o nosso coração verde te chama. Chegai! (M.N)
Nenhum comentário:
Postar um comentário