sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
PassaREMOS
Não me canso de pedir aos céus a paz que merecemos. Fagulhas no olho do outro, farpas de vidro no coração alheio, desabafos e intrigas barateadas pelo desrespeito, insinuações desnecessárias... Tudo conspira para o desamor na terra e isso entorpece meu coração deixando-o em convulsões. E, desse modo, digo: ao coração humilde e puro enviarei alento através de orações , aos demais, minha compaixão porque somente Ele sabe o tempo certo de todas as coisas...Eu varrerei das minhas lembranças o fel que tenta amargar o riso, apagarei do meu diário de anotações o teu dizer desprovido de amor e transformarei teus venenos em mel - o meu lado abelha quer ser flor. Dessa feita todo sentimento cruel e perverso deixo no rol do esquecimento guardado num lugar sem rotas nem endereços. O mal que tu me destes era vidro - reciclei. O amor que tu me destes era sonho - realizei. A vida Senhor! É um circo sem lonas prontas onde a beleza real cabe ao pranto transformado em dor... A vida Senhora! É um palco onde a beleza real cabe ao sofrer transformado em amor. Aquietemos porém nossos corações de pedra - e já de forma antecipada preparemos nele uma nova manjedoura - um Deus menino quer nascer, sejamos berço, o natal se aproxima. Toda dor passará, toda mágoa cessará, todo pranto secará... e nós passaREMOS. Há um barco esperando na praia - rememos. A vida é líquida e nós aquáticos. Força aqueles afetos que habitam meu coração-condomínio sem tarifas monetárias. Abraço naqueles amores que nem de longe posso agora visualizar, abraço com a alma. Ide! Avante! Porém, amai-vos, amai. Tudo se aquieta no tempo certo. Desse modo amai. (M.N)
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